• Sabrina

Entendendo a ansiedade no meio do caos: o que a estrada me ensinou e o que a pandemia me mostrou

Atualizado: Jul 13

A maioria das pessoas encara o ato de viajar como uma fuga provisória capaz de curar pesares nem que seja por um fim de semana. Vista desse modo, de fato, ela nada mais é do que uma só uma fuga. Mas tem outro jeito de ver as coisas e encontrar a cura na estrada.


Mas antes de continuar, saiba que esse texto não é sobre viagem. Ele foi escrito durante a quarentena do Covid19 na Itália, quando a gente ainda estava sufocado em quatro paredes, vendo mil pessoas morrerem por dia, sem fazer ideia de quanto tempo aquele pesadelo iria durar.



Eu tenho uma mente fervilhando o tempo inteiro, especialmente quando um novo projeto me empolga ou uma (grande) dificuldade me consome. Isso deveria ser uma vantagem, pois a empolgação por um novo desafio te dá combustível para se concentrar nele, e resolvê-lo, quando é o caso. Mas nem sempre é assim que a ansiedade deixa acontecer.


Quem tem sabe como é. Ter ideias, projetos e informações colidindo umas contras as outras em alta velocidade dentro de um cérebro desordenado pode ser trágico. Se não chega a esse ponto, é no mínimo exaustivo. A ansiedade não só instala a anarquia do pensamento como te chama a atenção exatamente para tudo aquilo que não mereceria atenção. As prioridades se desvanecem quando a ordem se extingue.


Pra quem gosta de perambular pela estrada, de uma jornada pelo desconhecido, essa é geralmente a primeira solução que vem à cabeça: "preciso de férias", "preciso de uma folga" são a fuga perfeita. Mas ansiedade não é um tipoo de cansaço que se resolve com descanso. Ansiedade gera cansaço mesmo no descanso. Ela entra na mala e vai às férias com você.


A viagem é de fato uma fuga dos problemas mas não representa necessariamente uma solução. A indesejável ansiedade torna qualquer processo triste e pesado, e planejar uma aventura é como ver a empolgação desaparecer diante de tantas demandas desordenadas.


Ansiedade não é sinônimo de expectativa, nem é um tipo de empolgação. Ansiedade é não controlar a forma como a sua mente e o seu corpo respondem às influências externas. Viajar pode ajudar sim a cura-la, mas não da forma como você está pensando.


Como uma viagem pode ensinar a dominar a ansiedade?


Desligar: é senso comum e verdade absoluta. Menos rede social pode desintoxicar a mente (antes de colocar o ponto final nessa frase eu me desviei duas vezes para o celular ao lado). Ter menos informações irrelevantes para processar reduz o número de veículos voadores descovernados colidindo dentro da cabeça. Talvez assim até seja possível enxergar as prioridades encolhidas no cantinho.


Des-controle: a estrada te mostra que as coisas nunca estão no seu controle, e diferentemente do que a rotina nos faz acreditar, elas não devem estar. Elas vão acontecer independentemente do sofrimento imaginado. Ansiedade também não é cuidado ou responsabilidade. Uma jornada por um lugar desconhecido nos ensina a ser cuidadosos, e ao mesmo tempo, a abrir mão da pretensão do controle. É justamente por não termos o controle que precisamos ser responsáveis, mas não ansiosos.


Você deve nutrir um senso de responsabilidade, mas nunca um sentimento de culpa. Nada do que está fora do seu controle é culpa sua!


Eu, pequeno: o vasto chão do mundo te mostra que ele é muito maior do que o mundinho dentro da sua cabeça. Provavelmente, aquilo que você penso ser tão importante e dedica toda a força da sua mente é algo insignificante diante da imensidão do mundo.


Imagine se você estivesse vendo a Terra do espaço sideral, ou vendo 2020 a partir de uma amplitude de bilhões de anos. Quão insignificantes nossos problemas seriam a partir de uma perspectiva espaço-temporal, não é?


O mundo ficou louco e a culpa nos consome. Mas antes de (pensar em fugir para uma nova aventura e depois) voltar para a rotina geradora de ansiedade, faça uma viagem para dentro de si. Este texto foi a minha pequena incursão em mim mesma. Encontre uma forma de fazer a sua. Saúde mental é importante demais pra gente fingir que não precisa se preocupar com ela.


Não é culpa sua o mundo estar desse jeito. Mas é nossa responsabilidade nos reerguermos pra mudar isso. Juntos.


Um abraço!

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