• Sabrina

Viajar ou morar na Europa: Saiba como levar dinheiro, ter uma conta e economizar com o câmbio

Atualizado: Mai 31

Essa é uma das coisas mais chatas, mas também das mais importantes quando se planeja uma viagem internacional, seja ela curta ou prolongada. Quando a gente pesquisa na internet aparece tanta coisa que é difícil saber qual é realmente a melhor opção. Eu vou explicar de um jeito que você não vai achar em outro blog, pois eu fiz testes entre as diferentes opções e no final dou a minha avaliação.


Na minha última viagem prolongada para a Espanha eu fui completamente negligente em relação a taxas, câmbio e formas de economizar na troca de moeda. Eu gastei um ABSURDO usando meu cartão de crédito brasileiro e pagando taxas de câmbio de banco para sacar euros de uma conta brasileira. Pasmem, já fui dessas. Inacreditável, né! Nunca mais.


Então, dessa vez fiz tudo diferente e isso me permitiu uma economia ENORME! Eu vou contar o passo-a-passo, anota tudo:


  1. Levar dinheiro em papel? Quanto?

  2. Como abrir conta e ter cartão europeu? (Sim, dá pra você fazer mesmo sendo viajante)

  3. Melhores formas de enviar dinheiro para conta no exterior


Eu vou indicar aqui nesse (e nos demais posts dessa série) apenas os serviços que eu usei e uso. Alguns deles foram tão bons que eu me tornei afiliada. Então, se você usar os links que estão aqui nesse texto, uma pequena comissão vai para o blog (obrigada!)


Depois que comecei a viajar de forma sustentável, aprendi que sustentabilidade é papo de dinheiro. E que pra economizar, você não precisa explorar os outros querendo sempre tirar vantagem e pagar o menor preço possível. Basta deixar de ser explorado. Por isso minha missão é espalhar isso pro mundo e quebrar com o ciclo de exploração, começando pelas taxas abusivas dos bancos.


Então vamos falar de viagem:


1. Levar dinheiro em papel? Quanto?


Sim, sempre. Mas não muito. Vou contar como foi comigo.


Eu reservei e paguei a hospedagem no AirBnb, com o meu cartão brasileiro mesmo (pois ainda estava no Brasil). Então eu trouxe mais ou menos uns 500 EUR em dinheiro pra esses primeiros dias. É claro que eu não encontrei uma casa para morar tão rapidamente, e esse período acabou se estendendo por um mês. Em outro post eu conto como foi (e como é) alugar uma casa na Europa, e as burocracias especiais da Itália.


Esse dinheiro foi mais que suficiente para comer e me virar, pois o custo de vida aqui na Europa é bem baixo comparado com o Brasil. Você vai no mercado com 10 EUR e faz uma bela compra pra uma semana! Como eu não sou nada boba, peguei um AirBnB com cozinha e garantia a maioria das refeições. Pega essa dica e desfrute do seu dinheiro de forma inteligente.


Eu já fui roubada na Europa e tomei um prejuízo do qual me recupero até hoje. Por isso, nunca levo mais dinheiro do que o necessário. Prefiro correr o risco de ter que usar o cartão de crédito para uma emergência. Aliás, o prejuízo só não foi maior porque eu separei meu dinheiro em 3 partes, e apenas 1/3 foi roubado. Faça sempre isso. E lembre-se que deixar dinheiro na mala pode te comprometer, pois malas podem ser extraviadas.


Falando nisso, depois confere essa história e as dicas de segurança que tive do Consulado Brasileiro em Madrid (o link vai estar aqui).


Voltando: quando for providenciar os seus euros, sugiro pesquisar por plataformas de comparação de casas de câmbio próximas a você. Faz muita diferença, e tem muitos sites que fazem isso.


2. Como abrir uma conta e ter um cartão europeu gratuitamente?


Aproveitando as vantagens da União Europeia.


Enviar dinheiro para uma conta no exterior é a forma mais barata de ter a moeda local por causa do IOF que explico depois. Mas já vou avisando que, pra poder abrir uma conta digital estrangeira você precisa: (1) estar aqui na Europa, pois o aplicativo usa a sua localização, e o banco que vou falar ainda não funciona no Brasil (e se funcionar vai abrir uma conta brasileira e não vai resolver o problema) e (2) precisa ficar por uns dias pra receber o cartão pelo correio.


O meu plano foi o seguinte: assim que pisei na Itália, baixei o aplicativo do N26 e abri uma conta. O N26 é um banco digital europeu (com sede na Alemanha) que funciona de forma muito parecida com o Nubank. Você precisa mandar uma foto do passaporte e inserir o endereço da sua residência para receber o cartão. Esse cartão é de débito, e existem 3 tipos diferentes: o gratuito (que é transparente), o silver e o black que tem anuidade (E esse post não é publi, ok?).


Aqui na Europa não é fácil ter um cartão de crédito, então você receberá um cartão de débito em 10 a 15 dias. Eu ficaria naquele apartamento por uns 8 a 10 dias, então contei com a sorte. Mas vou dizer uma coisa: isso que eu fiz não foi certo (eu só soube depois). Na Itália eles são bem certinhos em relação a registro de residência, e eu não poderia ter dado o endereço do apartamento que eu estava como se fosse minha casa. O contrato de hospedagem não te dá o direito de usar aquele endereço para correspondência, pois isso pode dar problema para o proprietário. Converse com ele, ou se puder, dê o endereço de uma pessoa conhecida. Mas se você for mudar, leia o próximo post dessa série e veja como corrigir esse erro.


Burocracias à parte, essa foi a melhor coisa que eu fiz, pois ter uma conta gratuita no exterior sem precisar de outros documentos além do passaporte me permitira usar a estratégia mais barata de câmbio: envio de dinheiro.


Duas informações importantes:


Primeiro: A sua conta vai ser Alemã. Não tem nenhuma diferença de uma conta aberta num banco físico em qualquer outro país da UE, exceto que o código IBAN começa com DE (de Deutschland = Alemanha), usado para fazer transferência.


Segundo: Você não precisa inserir o Codice Fiscale ou similar pra abrir a conta. Esse é o CPF italiano, e cada país tem o seu. Depois de um tempo o aplicativo vai pedir pra você atualizar os dados e inserir o número do documento. Só que vai levar meses pra isso, até lá você já tirou seus documentos ou já voltou pra casa, ou pode colocar o CPF brasileiro mesmo.



3. Melhores formas de enviar dinheiro para conta no exterior


Pois bem, com uma conta no exterior e um cartão de débito na mão, só faltam os euros. Eu sempre uso duas plataformas principais, mas antes de falar delas, eu aviso: você pode simular a transação para comparar os valores e escolher o melhor negócio.


Por que essa alternativa é melhor?


Porque você paga a cotação da moeda comercial, e não a cotação do turismo, que inclui diferentes valores de IOF, o Imposto sobre Operações Fianceiras. Exemplo:


O IOF para compras feitas com o cartão de crédito brasileiro no exterior é de 6,38% sobre tudo o que você compra. Para cartões pré-pagos, o valor é de 1,1%. Mas para enviar dinheiro para o exterior, você paga 0,38% de IOF. Viu a diferença? Existem outras taxas que não precisamos ficar discutindo isso aqui, pois basta você simular a transação e comparar os valores.


Transferwise: Para usar você paga um TED da sua conta brasileira para a conta da Transferwise. Se a sua conta tiver TED gratuito, como o Nubank, maravilha. Só que a maioria dos bancos cobram por isso.


Remessa Online (use o meu código SS7658): Funciona exatamente da mesma forma que a Transferwise, mas até a última vez que eu usei, era possível enviar dinheiro por TED ou por boleto também. Algumas vezes isso ajuda.


Abra as duas janelas, faça as duas simulações, convertendo 1000 Reais em Euros e veja exatamente quais taxas você vai pagar. Exemplo: hoje, 12/05/2020, eu receberia 154.57 EUR pela Transferwise e 155.25 EUR pela Remessa Online. Legal né? E eu garanto que não vai vir nenhum desconto escondido. Esse é exatamente o valor que vai cair na conta do exterior.


Pra enviar Euros para o a minha conta brasileira eu achei a Remessa online meio confusa, e nesse aspecto a Transferwise foi bem mais fácil. Mas enviar dinheiro para a conta europeia foi super fácil pelas duas, então você escolhe.


Eu aconselho salvar as duas páginas nos favoritos e fazer logo o cadastro. Você não paga absolutamente nada pra abrir uma conta, e já tem tudo pronto pra quando for usar. Elas não expiram.


Dica bônus


É consenso entre os viajantes usar a estratégia da transferência parcelada para diluir o prejuízo da flutuação do câmbio: Se você vai precisar enviar 1000 reais, envia 100 por mês para pegar cotações diferentes e ficar na média, em vez de correr o risco de transferir todo o dinheiro justamente quando o preço da moeda estrangeira estiver mais alto. Essa é uma boa.


Mas você também vai perceber que, se fizer isso, vai pagar um pouquinho a mais por causa das taxas fixas: se você enviar 100 ou 1000, vai pagar o mesmo valor daquela determinada taxa (de novo: simule). Então, eu aconselho acompanhar a flutuação do câmbio por um período de uns 6 meses e ver se ele tem mudado muito. Assim, pode compensar fazer o envio parcelado e diminuir o prejuízo e a chance do azar. Mas também você pode aproveitar um envio só, se a oscilação do câmbio não estiver lá essas coisas.


No fim, depende de você e do seu planejamento. Só ressalto que você não precisa transferir tudo antes de viajar. Pode abrir a conta aqui e ir enviando aos poucos, daqui mesmo.


Bom, te desejo a maior economia que puder fazer sem explorar ninguém, e não ser explorado por bancos. Espero ter ajudado, e se você tiver mais alguma dúvida pode mandar pelo formulário de contato. E se você puder, use os links e o código desse post pra ajudar a manter o blog. Obrigada!


BOA VIAGEM!



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