• Sabrina

O mindset sustentável: o que você precisa pra conquistar seus objetivos pode estar aqui

Atualizado: Mai 16

Na sua opinião, quais são as maiores dificuldades que nós enfrentamos para ter um estilo de vida mais sustentável? É o preço dos produtos e serviços ecológicos? É a dificuldade de encontrar as informações necessárias para tomar decisões conscientes? É a falta de tempo de readequar toda a rotina?

Consegue pensar em mais?


Ok, dinheiro, informação, tempo... sim, são várias.


Independente de você ser um viajante na estrada ou uma pessoa presa nas loucas rotinas de trabalho, as dificuldades existem sim. Mas é você quem determina se elas chegam a ser obstáculos ou apenas desafios. Se você duvida, quero te encorajar a prosseguir essa leitura de mente aberta e me dar a oportunidade de te surpreender. Nesse post eu vou te mostrar que, simplesmente mudando a sua forma de pensar e ver certas coisas, vai pode conquistar a liberdade e independência intelectual, que vão te dar novas perspectivas para uma transformação que pode te dar mais dinheiro, saúde, sucesso e qualidade de vida.


Quem define se uma dificuldade é um obstáculo ou um desafio é o mindset.




O que é um mindset?

Já existia um termo em português pra isso quando a palavra "mindset" se tornou popular: mentalidade, cuja definição é: "predisposição psicológica que uma pessoa ou grupo social têm para determinados pensamentos e padrões de comportamento" (Wikipedia). E você já deve ter ouvido falar por aí que podemos moldar a forma como pensamos e agimos, e assim reconfigurar a nossa postura e reação diante das coisas.


Assim, eu estou aqui para te falar duas coisas:


A primeira é: dificuldades existem sim. Mas com conhecimento você descobre que mais da metade delas já possuem soluções que são alternativas melhores, mais baratas, mais gostosas e mais legais.


Segundo: para todo o resto, a solução é tudo uma questão de mindset.


Quando vemos pessoas falando de mindset, geralmente estamos olhando para um exemplo de superação, força e foco. Para viver uma vida plena, muitas vezes é necessário sair de uma zona de conforto. Se nos deixamos levar pela correnteza, seguimos a onda da massa. Mas o mindset é uma caixa de ferramentas libertadoras. Cada ferramenta uma te dá um super poder para você ser capaz de promover a transformação que quer na sua vida.


O que é o mindset sustentável?

É uma mentalidade formada por 4 elementos que todas as pessoas já têm. Dois são intelectuais e dois são emocionais:


  1. Responsabilidade

  2. Pensamento crítico

  3. Ressignificação de conceitos

  4. Expectativa


Acontece que todos esses elementos estão unidos por um eixo central: o conhecimento + a criatividade.


Atenção: a descrição que você verá a seguir são instruções para aprender a usar essas ferramentas. Só que a mudança que elas vão te proporcionar não é apenas te ajudar a construir um estilo de vida sustentável. Elas podem te levar a um caminho de crescimento pessoal e te permitir superar diversos outros desafios.


1. Responsabilidade



Quando você pesquisa na internet "como ser mais sustentável" vão aparecer resultados contendo listas que geralmente falam das mesmas coisas:


- Economize energia

- Use bicicleta ou transporte público

- Recicle

- blá blá blá


São comportamentos bem bacanas de se ter, mas isso não é sustentabilidade. Estes são exemplos de ações que tem uma pegada de carbono menor do que as convencionais: são hábitos responsáveis, ou seja, práticas adotadas por alguém que assume a responsabilidade pelas consequências de seus atos ou estilo de vida. É a mesma coisa quando uma pessoa descobre que tem diabetes e deixa de comer doces: com essa atitude ela passa a assumir a responsabilidade sobre a sua saúde. O oposto disso é a negligência: quando ela continua ingerindo açúcar, sem se importar com os resultados desse hábito.


(Parêntesis: em um post anterior aqui no blog eu apresentei a diferença conceitual e prática entre os termos sustentável e responsável, e como eles são usados de forma errada por quem não entende de sustentabilidade.)


Mas eu não estou dizendo que somos pessoas irresponsáveis. É que fomos condicionados a negligenciar as nossas responsabilidades. Veja as situações:


Exemplo 1 - O Antes de consumir: quando compramos uma peça de roupa ou um souvenir em viagem. Por acaso vem na embalagem as informações sobre as matérias primas, condições de trabalho e origem da mão-de-obra, impostos pagos e ações de redução de impacto associadas à produção daquele item? Geralmente a coisa veio de um lugar lá do outro lado do mundo, como a gente iria saber disso?


Exemplo 2 - O Depois de consumir: Assim que você usa qualquer coisa, ela vira lixo ou resíduo. Aí você coloca na calçada, na garagem do prédio ou deixa lá no hotel e ela desaparece. Tem como a gente tomar conhecimento do que fizeram com aquilo e pra onde o troço foi?


Viu? O estilo de vida vigente, especialmente nas cidades, nos condicionou a negligenciar a nossa responsabilidade. Agora é uma questão de postura (ou mindset) resgatar essa responsabilidade sobre as nossas ações. E é aí que entra o conhecimento:


- Como saber a respeito da produção de um item que compramos e as ações socioambientais da marca?

- Como escolher a marca que quero apoiar com o meu dinheiro ?


Com conhecimento. O que nos leva ao próximo elemento:


2. Pensamento crítico



Quando o bichinho do conhecimento te morde, ele começa a comer o seu cérebro. Na verdade ele começa pelos seus olhos. Você tá lá de boa em frente à TV ou navegando pela internet e de repente vê uma propaganda. E então, diferente do que seria a sua atitude normal, você desconfia dela...


Aí você vai no mercado fazer compras e pega um produto chamado "saudável", "fitness" ou algo assim. E antes de pôr no carrinho você lê o rótulo...


E quando tá batendo perna no shopping e entra numa loja pra ver uma promoção, antes de pegar a peça pra provar você dá uma verificada na etiqueta... ou pior: vai na internet pesquisar sobre a marca...


O pensamento crítico é uma doença progressiva causada pelo bichinho do conhecimento. Depois que você faz o primeiro questionamento sobre o marketing e a verdadeira mensagem por trás de uma propaganda, sua vida nunca mais será a mesma.


Eu vou te dar um exemplo real junto com um desafio: vá naquele cantinho da sua casa e conte quantos produtos de limpeza diferentes você tem. A indústria nos convenceu de que precisamos de um tipo de produto específico pra cada tipo de superfície e pra cada tipo de sujeira. Eles tem cores, aromas, texturas e rótulos diferentes. Cada um numa embalagem de plástico colorido que faz a gente acreditar que tá tudo bem, pois plástico é reciclável. Mas eles não dizem que plástico colorido raramente é reciclado.


E não acaba aí. A composição desses diversos produtos é praticamente igual: Basicamente são um tipo de detergente/sabão, água sanitária (também conhecido como hipoclorito de sódio), um tipo de álcool (tudo o que termina com "-ol") e um ácido (tipo vinagre) ou uma base (tipo bicarbonato de sódio).


E não é só isso. Existe mais um mito propagado por essa indústria aí: a de que a limpeza é feita por reações químicas, e não mecânicas. Como assim? Antigamente, as nossas avós esfregavam as coisas pra ficarem limpas (era osso, eu sei), mas hoje usamos zilhões de produtos químicos para não ter que fazer nenhum esforço. Fomos ensinados que comprar esses produtos é a saída para não perdermos horas em limpeza. Mas a limpeza é um processo mecânico sim. E tem mais: ninguém propaga a água quente como produto de limpeza, né! Afinal, é quase de graça. Quem ganharia com isso?


Até o álcool em gel tentou se promover e ocupar o lugar do clássico sabão, sendo que o sabão é o produto utilizados para higienização de mãos até nos centros cirúrgicos, mas não o álcool em gel (por que será?).


O que eu quero dizer com esses exemplos é que o questionamento leva ao conhecimento. O conhecimento leva ao pensamento crítico, e tudo isso começa a mostrar o quanto temos sido manipulados. Questionar é um caminho sem volta. A brincadeira dos produtos de limpeza serve pra cosméticos também.


Desculpa, mas não me sinto culpada não. Aliás, se você já estiver em estado de choque, é melhor sentar e respirar antes de continuar a leitura, pois o que vem a seguir vai mexer com o seu "emocional".


3. A ressignificação de conceitos e hábitos



Vamos chamar de conceitos aquilo que você pensa (como opiniões) e de hábitos aquilo que você faz. Então, ressignificar é reavaliar e mudar o significado que uma coisa tem na sua vida.


Existe uma ressignificação específica que precisamos fazer quando começamos a formular o mindset sustentável: o significado do valor dos objetos.


Normalmente os conceitos de valor e de preço se confundem muito, mas eles são completamente diferentes, e precisamos muito entender essa diferença pra nos libertar de algumas amarras que atrasam a nossa vida. Antes de continuar, faça uma pausa: você sabe qual é a diferença prática entre essas duas palavras?


O preço é medido pela quantidade de dinheiro dado em troca daquele objeto. Geralmente é estabelecido com base no custo monetário para a sua produção e comercialização (que inclui o lucro). Já o valor é subjetivo, relativo e pessoal. Uma coisa pode ser super cara e não ter valor nenhum pra mim ou pra você. Mas uma outra coisa que é super baratinha pode ter um valor inestimável.


Onde eu quero chegar? Vamos desenvolver dois aspectos (ou áreas da sua vida) onde essa ressignificação impacta.


O primeiro aspecto é: o preço de um objeto comercializado nem sempre reflete o valor do que foi empregado na sua produção. A matéria prima utilizada foi precificada, mas os danos ambientais daquela produção não foram colocados na conta. Quando uma grande companhia usa mão-de-obra escrava ou causa danos ambientais catastróficos para ter mais lucro, por que ninguém paga por isso? Espera aí, como assim "ninguém"? Alguém paga sim: todos nós.


Em seu livro publicado em 2016 (cujo título em português seria Sangue e Terra: escravidão moderna, ecocídio, e o segredo para salvar o mundo), Bales estima que o número de escravos trabalhando para a indústria da moda seja do tamanho da população do Canadá (que em 2016 era de 35 milhões). E que, além disso, as marcas que utilizam dessa negligência social para obter lucro também são as mais ambientalmente irresponsáveis. Ou seja: alguém sempre paga o preço daquele mega-desconto que ganhamos nas promoções.


É errado comprar peças em promoção: óbvio que não. Só é errado não questionar. Não se perguntar e não se informar.


Outra coisa: o preço que pagamos em um item reflete a utilidade e o cuidado que teremos com ele no futuro? Se uma roupa foi cara você até lava à mão, mas se foi barata pode jogar fora depois de enjoar? Já reparou como temos mais dificuldade de nos desfazer daquilo que nos custou mais dinheiro? Isso mostra que não temos os conceitos de valor e preço muito bem esclarecidos na nossa postura.


Segundo aspecto: o valor sentimental dos objetos. Quantos de nós guardam algumas quinquilharias completamente sem uso, às quais atribuímos valores sentimentais? É possível que você já tenha ensaiado se desfazer de algumas dessas "lembrancinhas", mas isso te fez se sentir uma pessoa horrível, ingrata e sem coração. Aí, com o coração cheio de culpa, você guardou de novo.


Eu me sentia presa a carregar esses objetos pra vida toda. Parece que se eu não guardasse, estaria quebrando uma amizade ou fazendo pouco caso dos sentimentos de quem me deu. Mas quer saber? Aprendi que lugar de lembrança é na memória. Entendi que carregar coisas por culpa de decepcionar a pessoa que me deu não era a razão certa pra guardar nada.


Decidi que nenhum objeto material ou coisa comprada vai ser capaz de representar meus sentimentos por alguém, pois eles são muito maiores do que isso. O que me leva a outro ponto desse elemento de ressignificados: O ato de presentear.


Eu resolvi que não quero mais ganhar e nem dar presentes comprados, principalmente em "datas comemorativas". E se tiver intimidade suficiente com a pessoa, quero estabelecer isso com ela também. Nenhuma coisa comprada jamais será capaz de levar em si um sentimento verdadeiro. Você pode se sentir diferente de mim, e tá tudo bem. Mas se for como eu, desobrigue-se desse peso. Não faça pela dor. Se liberte, e se puder, viva experiências com aquela pessoa. Não se vivem coisas.


(Outro parêntesis: mas se gostar de presentear, plantas podem ser uma boa opção de presente de baixo impacto ambiental!)


4. Expectativas reformuladas



Acho que esse é um dos maiores desafios, que tem muito a ver com o que eu acabei de falar a respeito do ato de presentear: o difícil é frustrar a expecativa do outro. Aliás, já vai um conselho aqui: não se mova pela culpa, ou pela expectativa alheia.


Vou narrar uma situação hipotética e você me diz o quanto ela é real:


Você quer ter uma postura mais sustentável, e como o "compartilhar" é essencial nesse processo, decide participar da manutenção de uma horta comunitária no seu bairro ou condomínio. E a cada semana você doa umas horinhas pra ir cuidar. Mas sempre vem alguém que parece que só vem pra colher, e não faz nada pra ajudar a cuidar. Isso te desanima e você desiste do projeto com a justificativa de que "as pessoas não sabem o que é dividir, não tenho esperança na humanidade."


Agora outra situação nada hipotética que você acabou de viver: "lá vem uma epidemia, mas não precisamos de pânico. Não leve toda a comida do supermercado e pense no próximo."


Como não se decepcionar com o egoísmo alheio? Pior: e com a ganância e a vontade contínua de tirar proveito de tudo?


Já ouvi várias vezes o Marcos Botelho, um excelente orador, dizer: "o único culpado pela frustração das suas expectativas é você mesmo. Nunca culpe outra pessoa por isso. As expectativas são suas, quem as criou foi você, não as imponha sobre o outro".


Então, para aprender a dividir e a doar, precisamos nos libertar da primeira expectativa: a de que o outro terá sempre a mesma postura que nós. E outra: a de que é necessário que ele tenha essa postura para que nós façamos o nosso papel. Não tenha expectativas, e então você nunca terá frustrações.


Deixa eu te explicar uma coisa: nós somos colônia. Desde o início da história da nossa nação nós somos saqueados, roubados, explorados. Já fazem séculos, e por isso crescemos com o mindset de viver na defensiva, de ter que nos garantir do nosso jeito para sobreviver. Somos tão acostumados a ser depenados que o egoísmo se tornou necessário para a nossa sobrevivência. Somos um povo generoso mas, ao mesmo tempo, temos dificuldade de doar por medo de que nos tirem tudo. É daí que vem o tal "jeitinho brasileiro": ninguém nunca vai fazer nada de graça por nós, tem que aprender a se virar e dar jeito nos próprios problemas.


Agora eu vou te contar outra coisa: não precisamos que outro faça a parte dele para que façamos a nossa. E o fato de o próximo não cumprir o seu papel não justifica a nossa negligência. Não coloque condições alheias para a responsabilidade dos seus atos. Você é responsável pelo que você faz, não o zé.


E aqui entra a segunda expectativa a ser quebrada: a de que, para fazer sentido que eu continue, a minha ação individual tem que se tornar coletiva. O que isso quer dizer?


Estamos acostumados a ser movidos por ameaças de previsões catastróficas. A crise climática é uma das tragédias anunciadas mais graves que conhecemos, e já afeta o planeta em escala global. Mas diante disso, nos sentimos fracos e impotentes. Parece que nada do que eu faça na minha humilde rotina vá fazer diferença.


Só que nem tudo o que eu faço tem que ser para promover uma grande mudança em escala global. Não é pra olhar para o tamanho do problema, o negócio é olhar para o tamanho do significado das suas ações. Você já viu um daqueles infográficos que mostram o impacto de deixar de comer carne por 1 dia na semana? Vou deixar o link de um deles aqui. É disso que eu tô falando: ações pequenas têm um impacto ENORME - positivo ou negativo - se não fosse assim, não teríamos conseguido destruir o planeta em tão pouco tempo.


E não se esqueça: a sua comunidade é o grupo de pessoas ao qual você escolhe se inserir. Se ao seu redor estiver cheio de gente que não quer mudar, busque se conectar (mesmo que virtualmente) àquelas que estão dispostas à mudança. Construa a sua própria rede de inspiração. É pra isso que servem os influenciadores.


Então, não deixe de ser melhor e assumir a sua responsabilidade, só por parecer que as suas ações não vão mudar o mundo. Quando falamos de uma vida inteira (daqui pra frente) de hábitos responsáveis aliados ao exemplo que você dá, não estamos falando de pouca coisa não. E se queremos governos mais responsáveis e empresas que promovam benefícios socioambientais, os consumidores precisam adquirir essa postura primeiro, não é?


Se quiser entender melhor sobre isso, vou deixar o link do texto da Cristal Muniz (do Blog Uma Vida sem Lixo) para você entender o poder da ação individual na transformação do mundo.


Aliás, agora que você conhece o Mindset Sustentável, como ele pode te impulsionar para conquistar os maiores objetivos da sua vida? Já entendeu a relação? Leia mais sobre estilo de vida sustentável e o mito do auto-sacrifício (aqui no blog).


Apresentamos, portanto, os 4 elementos do mindset sustentável: 2 intelectuais e 2 emocionais. Não negamos que as dificuldades existem, mas aprendemos que elas não são obstáculos, apenas desafios que instigam a nossa criatividade e capacidade de adaptação. Com conhecimento e criatividade somos capazes de moldar a nossa postura diante da responsabilidade, exercer o pensamento crítico, ressignificar o valor das coisas e a nossa expectativa diante das pessoas e do mundo. Assim, o nosso estilo de vida será a chave para a transformação de um mundo mais sustentável.


Este post é o resumo do nosso livro digital O Mindset Sustentável. Se quiser uma cópia, nos envie um email. Aliás, se inscreva na Newsletter para não perder nada!


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