• Sabrina

Uma vida minimalista pode ser a resposta para o excesso de preocupações e para a saúde mental

Atualizado: Mai 11

Sem poder viajar, às vezes eu me vejo em pensamento sozinha em uma estrada, um parque ou um bosque. Em silêncio, ouvindo os sons do ambiente. Isso acontece em dias muito estressantes, quando a cabeça fica cansada de tanto pensar. Pra pessoas ansiosas como eu, o excesso de informação pode nos levar à beira da insanidade.


Para mim, a saída foi o minimalismo. O jeito leve, lento e limpo de viver.



Eu já compartilhei aqui como eu lido com a ansiedade, e como viajar me ajudou a entendê-la e me deu ferramentas para controlar esse jeito atropelado de viver. Mas eu confesso que é um conflito contínuo, pois a sociedade produtivista em que vivemos tenta transformar pessoas em máquinas e fazer a gente se sentir inútil se não produzirmos constantemente. O distanciamento social durante a epidemia deu muito destaque pra isso, com as pessoas lutando pra se adaptar a uma rotina produtiva trabalhando em casa, e com escolas empurrando uma tonelada de conteúdo sobre as crianças, tentando fazer elas acreditarem que nada mudou, e tudo continuaria exatamente como antes.


Se você se sentir assim como eu, vem cá e me dê a mão. Eu não tenho nada pra ensinar mas tenho muito pra compartilhar, e daí podemos prosseguir aprendendo juntos.


O que o minimalismo tem a ver com ansiedade, produtividade e qualidade de vida?


Uma coisa que eu tenho pra te contar é que minimalismo não é só comprar menos e viver com menos. É levar a níveis mínimos tudo aquilo que não é essencial para a nossa existência. Isso inclui preocupações.


Eu sei que essa proposta vai na contra-mão das exigências do trabalho, da chuva de propagandas e notícias, das redes sociais e os detalhes que elas trazem sobre a vida alheia... É a ideia do Slowliving, ou "vida lenta": uma proposta de desacelerar o ritmo e voltar para a velocidade natural da vida. Eu sei que precisamos trabalhar para viver, e isso implica em mantermos certas expectativas e metas. Mas significa que devemos viver afogados em notícias e redes sociais? Em opiniões alheias?


Quando você compra menos, você tem menos contas a pagar. Você tem mais folga (financeira, inclusive) para planejar seus próprios projetos. Quando se tem menos coisas, há menos o que administrar. Há menos preocupações. É quando estamos viajando e aí percebemos que com menos bagagem podemos ir mais longe, mais rápido (ou mais devagar, se quiser).


Por onde começar?


Ao contrário do que muita gente pensa, começar um estilo minimalista não tem nada a ver com se desfazer de objetos (muito pelo contrário, mas isso é papo pra outra hora). Tem a ver com desentulhar a mente do excesso de informações. E não se sentir culpado ou alienado por isso.


Se quer começar, dê um tempo ou uma limpada nas redes sociais. Menos TV, menos notícia, mais conversas saudáveis, mais música, mais respiração. Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida (mas todo dia tenho que me relembrar) é que preocupando ou não, as coisas sempre acontecem do mesmo jeito. A diferença é que, preocupada e cheia de informações pra processar, eu não produzo e não tomo boas decisões.


Já ouviu falar do ócio criativo, né?

Então, vou quebrar um paradigma aí: não se dê o ócio com a intenção de produzir uma ideia criativa. Se dê o ócio pois a sua vida pode depender disso, ou pelo menos uma vida com um mínimo de qualidade e dignidade. Aliás, paradoxalmente, a tal ideia criativa pode vir só no caso de você não estar esperando por ela.


Como prosseguir?


Nunca se esqueça que as pessoas ao seu redor te influenciam, e que a toxicidade delas te afeta. Aliás, ser uma pessoa excessivamente preocupada, reclamona e carregada de notícias pode transformar você na pessoa tóxica da qual as outras tenham que se afastar.


Depois de começar e aprender a priorizar as informações, opiniões e pessoas que afetam a sua mente, aí sim você pode partir para o plano material e usar o mesmo método para objetos. Mas eu devo enfatizar novamente: se tornar minimalista pode não ser sustentável se você achar que basta simplesmente jogar tudo fora e deixar uma muda de roupa no guarda-roupa. Trata-se de dar o maior proveito possível para tudo o que se tem, para não ter que comprar mais daquilo.


Quer uma ideia?


Experimente o ato de cozinhar como uma prática slowliving e minimalista. Nem que seja um macarrão ao alho e óleo. Faça disso um momento para sentir a vida de uma forma genuína.


Lembra que ser ágil e produtivo pode ser bom sim, mas só se esse for o seu ritmo natural, que brota do seu próprio desejo de fazer algo que te motiva. Se for imposição de outras pessoas, da rotina ou da reputação que você acha que tem que manter, tá errado. Vai te sucumbir. E como saber se esse é o seu ritmo natural? Se isolando das influências externas.


E, se eu puder sugerir, ler blogs como esse pode te inspirar e te ajudar a repensar as coisas que estão atropelando a sua vida. Inserir essa prática de leituras leves como momentos de desafogar a mente também se opõe ao que o mundo prega. Mas quer saber? O mundo tem acertado nas "verdades e certezas" modernas? Questione e priorize a vida, começando pela sua.


Seja leve! E leve um abraço!


#minimalismo #estilodevida #viagemsustentável #sustentabilidade

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