• Sabrina

Como foi mudar para outro país sendo tímida, ansiosa e sem saber a língua local (Turim, Itália)

Atualizado: Mai 11

E meio insegura.


Este texto é o primeiro de uma série que fala de viagem mas não em termos turísticos. É em um aspecto mais amplo: uma viagem tão prolongada que envolve todos os efeitos de uma mudança definitiva. Neste post eu vou falar das barreiras pessoais que citei no título, e como elas influenciaram a minha história aqui na Itália. Nos textos seguintes vou falar dos impactos culturais, da língua, da imigração, de fazer amigos, de procurar uma casa pra morar, de viajar pelo país (obviamente)... Quem sabe onde tudo isso vai dar!


Se você planeja estudar fora (meu caso) ou trabalhar em outro país, acompanhe essa sequência de conteúdos que vou soltar semanalmente (mais ou menos). Se esse país for a Itália, mais ainda. Mas como já tive experiências semelhantes em outros países, vou sintetizar aqui informações gerais que envolvem a realidade de um brasileiro expatriado na Europa. O objetivo é ajudar você a se preparar para uma aventura prolongada (ou definitiva) além mar.


Aliás, antes de começar, já deixa aberto pra ler depois o texto que escrevi sobre como transformar uma viagem em uma experiência de currículo. Fiz esse post justamente com os aprendizados que vivi aqui na Itália, nessa história que começo a narrar hoje.



... timidez...

Muita gente, assim como eu, nutre o sonho de viver uma experiência significativa no exterior, mas teme por ser uma pessoa tímida, insegura e em alguns casos, ansiosa. Em razão disso, acabamos adiando ao máximo tirar esse projeto do papel, achando que algum momento perfeito vai chegar.


Primeira dica aqui: não vai. O momento perfeito é aquele que você decide e faz. Se somos tímidos e inseguros, continuaremos sendo cada vez mais, até executarmos nossas ideias e vivermos a vida. Só assim adquirimos a segurança necessária, e a timidez não deixa de existir, mas deixa de ser uma barreira.


A minha timidez, nesse caso, era ainda mais justificada por não saber falar o idioma local. Então aí já vai a dica pra superar a sua.


... sem saber a língua

As coisas aconteceram de uma forma um pouco atropelada antes de mudar para a Itália, de maneira que me preparei menos do que deveria. Não vou narrar minha vida nos últimos meses no Brasil, pois não vem ao caso. Só digo que viajei muitíssimo enquanto eu (supostamente) me preparava para essa mudança. Assim, o estudo do italiano ficou de lado.


Grande erro (e segunda lição).


Eu tive algumas justificativas pra isso, mas elas também não vem ao caso. A questão é que, como eu me comunico em inglês, pensei: "Ah, não deu pra fazer um curso antes, sem problema. Depois eu faço um curso lá. Quanto estiver imersa na língua será muito mais fácil." Em outro post eu vou falar especificamente da língua, mas aqui fica apenas uma dica: estude um pouco do idioma local antes de se mudar. Pelo menos um pouquinho.


Falar inglês me ajudou a conectar com alguns estrangeiros que estudavam ou trabalhavam no país, mas não ajudou a me conectar com os italianos. Ainda estou na luta pra aprender esse idioma, pois sem ele, é como se eu nunca tivesse realmente vivido na Itália. É como se eu nunca deixasse de ser uma turista aqui. Leia sobre a minha saga no estudo autônomo do italiano na coluna Viajante Poliglota.


... ansiosa e insegura

Uma coisa que diminuiu as minhas dificuldades aqui foi ter vivido em São Paulo por dois anos. Em vários aspectos, a cidade de São Paulo é mais parecida com o exterior do que com o próprio Brasil. Se você já andou de transporte público lá, por exemplo, pode ficar tranquilíssimo que você vai chegar aqui e se sentir em casa.


Mas em outros aspectos, eu achei a Itália um lugar difícil de se informar. Quase toda a informação que eu tive sobre o funcionamento [burocrático] do país foi por blogs de viagem ou de pessoas que trabalham com a emissão de cidadania italiana para brasileiros. Só que nenhuma dessas situações abrangia meu caso. Buscar informações em sites oficiais até hoje é complicado, por isso os blogs ajudaram muito (apesar de muitos erros que vou corrigir nos posts dessa sequência).


Por outro lado, os blogs não ajudaram tanto. Por exemplo: a maioria deles dizia que eu deveria vir para a Itália primeiro para procurar uma casa para alugar. É um conselho sábio, eu admito. Mas foi uma experiência bem complicada, e eu aconselho você a encontrar uma moradia provisória por pelo menos um ou dois meses. A plataforma que eu usei foi a HousingAnywhere, que funciona em diversas cidades e países.


Então, se puder, leia bastante. Leia sites aleatórios mesmo. Eu sei que é difícil dizer para alguém procurar informações sobre algo que ela não sabe que existe (como um tal de permesso di soggiorno, uma tal de dichiarazone di presenza...). Mas é vasculhando atentamente a internet que encontramos coisas inesperadas que fazem a diferença e nos dão mais segurança e calma.


Uma vez me perguntaram: "como é ir morar sozinha num país distante?"
Eu respondi: é como viajar sozinha, só que por mais tempo.

Segurança é um negócio que se desenvolve.


Então, se você ainda não teve a experiência de se jogar numa aventura em outro país, faça isso antes de se mudar. Esse é sempre o meu conselho para pessoas que querem viajar sozinhas mas tem medo: teste seus limites dentro daquilo que te deixa confortável, assim os seus limites se expandirão. Se nunca viajou sozinha ou sozinho, vá pela primeira vez a um lugar que já conhece, por um tempo que te deixa em paz. Depois que você tiver uma ou outra vivência no exterior, vai começar a pegar um jeito intuitivo que te ajudará a agir com segurança e tranquilidade em situações cada vez mais ousadas. O nosso cérebro processa muito mais aprendizados do que nos damos conta. Teste antes de viver uma experiência definitiva.


Isso vale para a timidez, a ansiedade, a insegurança e até a barreira do idioma: se dê as experiências que puder antes. Nenhum livro ou blog de viagens vai poder te ensinar aquilo que você vai aprender vivendo. Para todo o resto, eu vou te contar o que fazer.


Sugiro a leitura do texto sobre como lidar com a ansiedade no contexto de viagens. Espero que meus aprendizados sejam úteis pra você. No mais, assina a newsletter aqui pra não perder todos os próximos textos e já começar seus planos de mudança.

Arrivederci!


#viajarpelomundo #europa #itália #viajaromundo

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