• Sabrina

Como vamos viajar após o Coronavírus: uma nova chance de recomeçar

Atualizado: há 7 dias

Diversos países estão com as fronteiras fechadas, padecendo com a epidemia e do colapso econômico proveniente da queda do turismo, uma atividade da qual muitas economias são dependentes. Esperamos que nos próximos meses as portas sejam abertas e o fluxo de viajantes volte a crescer levando junto com eles a esperança de dias melhores.


Mas ainda há uma questão que precisa ser resolvida.


Já parou pra pensar que quando (ou se) tudo voltar ao normal, nossas atitudes podem ter um impacto ainda maior do que antes?


Il Colosseo, Itália

Parece que a Terra tirou um tempo pra respirar. Estava complicado demais. A poluição estava machucando muito. Tá difícil ser um planeta nesses dias. Parou, sentou, respirou fundo. Pensou no próximo passo, aí levantou e seguiu em frente.


Muitas nações como a Terra da Pizza, mais conhecida como Itália, dependem do turismo como força motriz da sua economia. Mas ao mesmo tempo, seu povo padece dos impactos negativos das atividades turísticas em massa, irresponsáveis e exploradoras. Cidades como Roma e Veneza já declararam que não aguentam mais o peso das consequências de um turismo predatório, pois ele está causando uma grande evasão de moradores em busca de condições de vida mais dignas em outras cidades.


Isso significa que, se depois de tudo isso, nós voltarmos subitamente a praticar aquele mesmo turismo irresponsável que estamos acostumados, podemos acabar contribuindo para o colapso de uma economia que foi fragilizada pelo surto epidêmico do covid19. Se tem uma lição importante que essa epidemia nos ensinou é que não adianta fingir que não vai acontecer com a gente. Quando a tragédia é anunciada, cabe a gente se preparar e agir.


Pradoxalmente, esse fenômeno mundial abriu com chave de ouro a Década da Ação. Deu uma quebrada, interrompeu os processos atropelados e nos obrigou a parar pra refletir (já que não sobrou muita coisa pra fazer na quarentena). Então, eu te convido a parar por 5 minutinhos e pensar a respeito do nosso estilo de vida e em formas de deixar um impacto positivo em todos os lugares que visitarmos daqui pra frente.


Vamos lembrar de, na próxima viagem...


... se tiver a oportunidade, considere acomodações responsáveis


Ser um viajante responsável não significa pagar mais caro pelas experiências. Em plataformas como EcoBnB, Mañana, BioHotels e Green Pearls é possível pesquisar e comparar preços de hospedagem em vários países (esses links não são divulgação). Só de começarmos a levar isso em consideração já é um avanço.


Mesmo que as suas acomodações sejam tradicionais, ainda é possível ser um hóspede responsável. Já falamos aqui sobre como fazer o hotel produzir menos lixo com a sua hospedagem. Num país turístico como a Itália, eles estão mais que acostumados com pedidos para substituir um item descartável por um retornável, ou coisas assim. Jamais pense que eles vão achar isso estranho. Na verdade, muitos hotéis já estão preparados e esperando o hóspede pedir para atendê-lo com prazer.


... pesquise sobre a cultura local e a culinária típica


Sustentabilidade é valorizar as culturas, contribuindo para o trabalho dos cidadãos locais que vivem do turismo. Como já apresentei em outra ocasião, sustentabilidade no turismo é feita de retribuição e autenticidade. Visitar cafés (quanto mais simples, mais local), levar souvenirs produzidos pelos artesãos moradores, degustar a comida produzida ali que é parte da cultura daquele povo... São tantas as formas de retribuir à comunidade pela experiência que ela nos proporciona quando nos recebe!


A gente pode deixar as redes de fast food pra depois que voltarmos (ou nunca mais). Os italianos em especial são extremamente orgulhosos da sua cultura e da sua comida (com razão). Ser respeitoso e saber apreciar os produtos locais é sustentável e é sempre uma forma de conquistar a simpatia. Quer fazer um amigo? Diga que AMOU a cidade dele!


... atenção (e respeito) aos horários de funcionamento


Acho que eu demorei uns 6 meses pra aprender essa lição na Itália: tem hora pra tudo. Os estabelecimentos de alimentação tem horários específicos para abrir, e é muito comum que eles fechem fora dos horários de refeição, principalmente se a gente se afasta dos pontos turísticos mais cheios.


Os locais para almoço abrem por volta das 11h e fecham lá pelas 14h ou 15h. Eu já fiquei sem almoçar por me distrair nos passeios. É um elemento cultural muito marcante do povo italiano: fazer tudo a seu tempo, respeitando a velocidade natural das coisas. Aliás, levar uma fruta com você é sempre importante.


... se puder, aprenda uma ou duas palavrinhas na língua local


Nada enche mais um cidadão de orgulho do que um turista tentando se expressar na língua dele! Isso demonstra um apreço sem fim! Mesmo que a gente fale errado e tenha a simplicidade de perguntar como se fala, todo nativo é sempre receptivo. Expressar admiração por uma cultura é uma forma muito valiosa de renovar as esperanças de um povo. Aliás, pode ser que você não encontre falantes de inglês tanto quanto gostaria. Se prepare para gesticular com fluência.


... considere um free walking tour


Existe uma tonelada de sites na internet que oferecem esse serviço, e tem pra todas as cidades turísticas do mundo. O guia local passeia com você, e no final você dá uma gorjeta de agradecimento. Assim, certamente o dinheiro que você gasta nas viagens fica nas mãos da comunidade.


Outro bom meio de fazer isso é pelo AirBnB Experiências (que não patrocina esse site), por preços variados.







... leve com você uma garrafinha retornável


Muitas cidades da Itália (não sei se todas) tem fontes de água mineral nas ruas para estimular a redução do uso de plástico descartável. Se estiver com a sua garrafinha e se deparar com uma dessas, é um lixo a menos. Não custa reforçar.


A lista de sugestões de hábitos responsáveis em viagem é imensa e esse texto poderia se tornar exaustivo. O objetivo principal é mostrar que ser um viajante responsável é muito mais simples do que parece. Tudo depende de um estilo de vida e uma consciência que moldam pequenos hábitos capazes de promover grandes revoluções. É possível ser um viajante responsável em qualquer lugar, pois 50% da iniciativa depende de você. O resto depende do mundo.


Pra entrar no clima, veja esse curta "Uma Jornada Sustentável" divulgado pela Europarc Federation e premiado no Terres Travel Festival – Films & Creativity. Ele mostra as iniciativas sustentáveis na fronteira entre a França e a Itália, onde as culturas se diluem, e um belo cenário que nos inspira a cuidar com carinho desse maravilhoso planeta.


Um abraço.


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