• Sabrina

Trilhas nos parques naturais de Turim, norte da Itália: conexão com a natureza e o turismo cultural

"Não é uma aventura até que algo dê errado". Eu li essa frase há alguns dias e fiquei refletindo sobre as minhas próprias experiências que gosto de chamar de "aventuras". Mas em vez de estabelecer critérios para definir o conceito de aventura, e se a gente repensar o significado de "errado"?


Entre os meus conselhos para uma viagem transformadora e cheia de significados eu sempre digo: planeje-se, mas não se prenda ao roteiro. Se puder, eleja um ou dois pontos de interesse para visitar, mas não antecipe tudo o que vai acontecer entre eles. Se permitir surpreender é a chave para nada dar "errado", já que não há parâmetros estabelecidos para o que seria o "certo".


Foi assim que, durante esse ano de aventuras vivendo na Itália, eu decidi explorar os parques naturais ao redor do capoluogo de Piemonte. Mesmo estando num contexto de turismo cultural, a conexão natural é oportuna. E pra te dar essa oportunidade, vou deixar o meu relato sobre três parques naturais na cidade de Turim (ou Torino), norte da Itália e aos pés dos Alpes: il Parco Naturale della Collina di Superga, il Parco della Ribembranza e il Parco della Maddalena. São todos próximos à cidade, onde podemos ir a pé (como eu fiz) ou de ônibus.


Torino é uma cidade bem arborizada e muito bem servida de espaços verdes, embora a gente não saiba disso se chegar aqui no outono ou no inverno. O verde que renasce na primavera transforma a cidade.


Esses três parques são conectados e compõem um conjunto de colinas verdes do lado leste da cidade, e na verdade podem ser classificados como jardins públicos. No alto de uma dessas colinas está a majestosa Basilica di Superga, iluminada e soberana. Ela me inspirou a uma "aventura" onde as coisas aparentemente deram "errado", mas resultou em um dia estupendo que eu relatei aqui. Se você, leitor, estiver aqui para ter informações turísticas, deve ler esse relato que eu mencionei. A Superga é o ponto obrigatório de todo viajante que me pergunta sobre as experiências imperdíveis na cidade real de Torino.


Depois da minha aventura rotulada de perrengue de sucesso para visitar o parque e a Basilica di Superga, resolvi conhecer o Parco della Maddalena e o Parco della Rimembranza. Como normalmente faço, eu parti a pé numa caminhada de 10 km de onde eu estava. Atravessei uma das pontes do Fiume Po para o lado leste da cidade e de lá tomei uma das estradas que sobem as colinas, a uma elevação aproximada de 300 metros acima de Torino.


Eu pensei que assim que atravessasse o rio já ganharia as trilhas, mas o que descobri foi uma parte belíssima e clássica da cidade de Torino. Diferentemente do centro urbano da cidade real, com suas ruas largas e retas, esse quartiere é cheio de ruazinhas estreitas e sinuosas, e se parece mais com a Itália clássica que esperamos conhecer. Provavelmente, foi uma vizinhança que se formou aos arredores (a periferia) da cidade real nos tempos do governo monárquico.



Foi bem difícil não me perder pelas ruazinhas, precisei consultar o gps o tempo todo. Entretanto, escolhi me perder. Teria sido bem mais difícil resistir a entrar nas vielas toruosas e explorar suas escadarias e casas antigas. Sempre que alguém pode caminhar, eu aconselho esta atividade como a forma mais genuína de explorar um novo lugar.


O percuros estimado duraria 2 horas, mas por causa da curiosidade, eu ainda estava longe de atingir o destino que estabeleci: o Faro della Vittoria. Quando faltava mais ou menos 30 minutos para chegar lá eu me deparei com os portões do Parco della Maddalena. Sem hesitar, me desviei novamente do percurso e fui explorar o verde. Dentro desse parque eu encontrei outro parque: o Parco della Rimembranza, que me deixou particularmente comovida. Esse "Parque da Lembrança" foi inaugurado em 1925, e homenageia os 4.787 soldados torinesi que morreram na Primeira Guerra Mundial. Seus nomes estão gravados em estacas espalhadas pelo parque.


Por ter mudado de caminho, eu pensei que não iria mais chegar ao Faro della Vittoria. Mas explorando as trilhas do parque descobri que já estava ele, bem no alto! É um monumento que lembra a Estátua da liberdade nos EUA, dedicada à Vittoria Alata, uma personagem da mitologia romana, e foi erguido em 1928 para comemorar os 10 anos do fim da Primeira Guerra Mundial. Também tinha imaginado que de lá de cima teria uma vasta visão da cidade e dos alpes, semelhante à vista que se tem do mirante da Superga, mas já adianto que a vegetação não permite ver muito longe. Por outro lado, a magia do lugar e do próprio percurso me encheu de vida e te fez até esquecer de olhar para fora dali.



O Parco della Rimembranza e o Parco della Maddalena estão na Collina della Maddalena, portanto, são ligados e indistinguíveis, dando ao caminhante uma vastidão de verde (na primavera e no verão) para explorar. Esses três parques (Superga, Maddalena e Rimembranza) são a principal escolha para o pedal, para ter uma vista privilegiada dos alpes e da cidade por diferentes ângulos, e para um piquenique perfeito com a família. Muita gente usa as mesas de piquenique ou toalhas no chão mesmo.


Os três parques são muito bem cuidados, com trilhas acessíveis, apesar de a topografia ser levemente acidentada (estamos falando de topos de morro). As trilhas são abertas e bem sinalizadas, e não há necessidade de autorização para entrar. Só que os únicos veículos que entram são bicicletas. Também há fontes de água mineral espalhadas pelos 3 parques, mas eu confesso que o único onde vi estruturas com banheiros foi o Parco della Collina di Superga (que são os banheiros da Superga mesmo).


O passeio foi leve, completamente diferente do esperado. Permita-se aventurar.


Eu voltei caminhando, e ao sair do parque encontrei um senhor vendendo frutas na beira da estrada. Ele gastou toda a sua lábia de vendedor comigo, por isso comprei meio quilo de cerejas em um saquinho de papel, por 3.50 €. Voltei comendo as cerejas, pois já eram 14h e eu já tinha comido as duas bananas que havia levado. O que não comi virou uma geleia.


Apesar de esse passeio ter sido uma modalidade leve de trilha e hiking, é importante levar água e comida. Assim que se deixa a cidade não é fácil encontrar lugares para comer. O ônibus que chega às margens dos Parques della Rimebranza e da Maddalena é o 70, e o que sobe a colina da Superga é o 79 (apenas duas vezes ao dia, e não opera aos domingos, informe-se aqui).


Eu aprendi a não subestimar a importância da conexão com o a vida natural, de sentar no chão e tocar na terra. De ouvir o canto de pássaros e o ruído do vento longe do barulho de carros. Se você me permitir te deixar um conselho, não deixe uma oportunidade dessas passar.



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